Adolescente que vende brigadeiro em Rio Branco diz que pobreza não é desculpa para a prostituição

Uma diária média entre R$ 40 a R$ 50 é o que ganha a adolescente Taís Miranda da Silva, de apenas 16 anos, vendendo brigadeiro de chocolate nas ruas de Rio Branco, nas imediações do Terminal da Cadeia Velha. Filha de agricultores que vivem numa colônia nos arredores do município do Bujari, ela vive em Rio Branco, em companhia do marido, um rapaz de 20 anos de idade, que também é vendedor ambulante. “Nós trabalhamos muito porque temos consciência de que, qualquer coisa que não seja trabalho, não é uma coisa limpa. Podia até ganhar muito mais, mas do que adiantaria¿”, ela pergunta como se já soubesse a resposta.

Taís tem 16 anos/Foto: ContilNet

Ela chega a vender até 80 brigadeiros por dia, ao preço de R$ 2,00 a unidade. Tira o gastos para a produção e conclui que seu lucro pode chegar até R$ 50,00 por dia. “Eu podia fazer outra coisa, até me prostituir, como já recebi propostas, mas prefiro trabalhar assim”, disse. “Ninguém vira prostituta só por ser pobre. É uma questão de caráter”, acrescentou.

Taís Miranda disse que estava desempregada e, pensando em ajudar o companheiro, viu uma promoção de chocolates numa casa comercial da cidade e resolveu investir o pouco dinheiro que tinha. “No mesmo dia eu percebi que dava para ganhar dinheiro com dignidade. Bastava trabalhar um pouco, acordar cedo e ter disposição para andar, oferecendo o produto”, disse.

Ela está disposta a expandir os negócios. “Estou guardando um dinheiro porque quero montar minha própria casa de Deus. Eu vou conseguir, vocês vão ver”, prometeu.