Embaixada do Peru enfatiza que estrangeiros retidos em Assis Brasil não poderão entrar no país

AC24H

Por meio de nota à imprensa, divulgada na tarde desta terça-feira, 16, a Embaixada do Peru no Brasil ressaltou que o grupo de imigrantes que está retido na cidade de Assis Brasil, não será autorizado a entrar no país, como pretendem os estrangeiros e as autoridades do município brasileiro.

Na nota, a representação peruana diz que por conta de o fechamento das fronteiras terrestres do país andino ser uma das principais medidas preventivas tomadas pelo governo local para combater a pandemia de Covid-19, os cidadãos estrangeiros que estão em Assis Brasil não poderão ingressar no território peruano.

O documento diz ainda que a embaixada peruana está trabalhando de maneira estreita com o Itamaraty com o objetivo de normalizar a circulação de pessoas e o tráfego de cargas entre os dois países, assim como solicitou o apoio das autoridades brasileiras no controle do fluxo de imigrantes que continuam se deslocando para a região.

Depois de estarem acampadas fazia dois dias na Ponte da Integração Brasil-Peru, que liga Assis Brasil a Iñapari, capital da província de Tahuamanu, no departamento de Madre de Dios, cerca de 400 pessoas enfrentaram o policiamento que impedia a passagem pela fronteira e invadiram o território peruano.

A medida extrema, porém, não surtiu efeito. Horas depois, os imigrantes foram presos e expulsos para o lado brasileiro. Há relatos de que houve uso de “força e violência” por parte de policiais e militares peruanos e alguns estrangeiros precisaram receber atendimento médico no retorno à cidade brasileira.

A Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Assis Brasil, informou que o prefeito Jerry Correia se reuniu com dois líderes do movimento dos imigrantes e os convenceu a permitir que crianças e mulheres retornassem aos abrigos mantidos pelo município, onde a equipe da Secretaria de Assistência Social lhes presta atendimento.

“Enquanto o governo federal cria as condições para levar essas pessoas ao seu destino, vamos continuar com nossa ação humanitária. Todos estão chocados com as cenas que vimos nesses últimos dias, que quase terminaram em tragédia. São mais de 50 crianças que estavam desde domingo na chuva e no sol, no meio de uma ponte, sob a mira de metralhadoras”, disse Correia.

A assessoria do prefeito ainda informou que ele participou de uma videoconferência, também na tarde desta terça-feira, junto com parlamentares da bancada acreana, representantes do governo estadual, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e o embaixador do Brasil no Peru, Rodrigo Baena.

Na ocasião, Jerry Correia pediu o retorno para a fronteira das Forças Armadas, que deixaram o local desde novembro passado, e requisitou prioridade para a crise migratória na cidade que está, inclusive, em estado de calamidade por causa da presença dos estrangeiros e da pandemia da Covid-19.

Também em nota, o Itamaraty declarou que tem mantido, nos mais diferentes níveis, contato com as autoridades peruanas sobre a questão dos imigrantes estabelecidos na fronteira acreana, as quais têm reafirmado a situação de fechamento fronteiriço no contexto da crise sanitária causada pelo novo coronavírus.

O governador do departamento de Madre de Dios, Luis Guillermo Hidalgo Okimura, chegou na manhã do último domingo, 14, que aguardava uma autorização do governo nacional para permitir a entrada excepcional dos imigrantes, que afirmam desejar apenas passar pelo território peruano em busca de outros destinos.

A um veículo de imprensa peruano, Luis Okimura também disse ter pedido ao governo nacional do Peru, em decorrência da urgência da crise migratória, que declarasse estado de emergência na região que, além do grave problema dos estrangeiros, vem sendo afetada por inundações de rios e chuvas torrenciais.

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