MP vai acompanhar abastecimento de água no Bujari após reservatório da cidade secar em 2017

Por prevenção, o Ministério Público do Acre (MP-AC) decidiu abrir um procedimento preparatório para apurar o serviço de fornecimento e a qualidade da água distribuída aos moradores do município do Bujari, no interior do Acre.

O motivo, segundo o órgão, foi a seca severa enfrentada pela cidade em 2017 quando o reservatório da cidade secou.

A portaria determinando o acompanhando da situação no município foi publicada no Diário Eletrônico do MP-AC nesta sexta-feira (19). O documento destaca que a intenção é acompanhar o abastecimento ininterruptamente antes da chegada do verão, quando fica mais difícil a manutenção e fornecimento de água.

Reservatório de água no Bujari, interior do Acre, secou durante estiagem em 2017 — Foto: Reprodução Rede Amazônica Acre/Arquivo Reservatório de água no Bujari, interior do Acre, secou durante estiagem em 2017 — Foto: Reprodução Rede Amazônica Acre/Arquivo

Reservatório de água no Bujari, interior do Acre, secou durante estiagem em 2017 — Foto: Reprodução Rede Amazônica Acre/Arquivo

Ao G1, o diretor de Operações do Interior do Departamento Estadual de Pavimentação e Saneamento (Depasa), David Bussons, explicou que, para que não faltasse água durante a estiagem deste ano, o órgão decidiu fazer um racionamento e segue captando água do reservatório por dois dias seguidos e outro não.

O MP-AC determinou que um ofício seja encaminhado ao Depasa para que, no prazo de dez dias, o órgão preste informações sobre o fornecimento de água no município, qual a periodicidade da distribuição e as ações que estão sendo feitas para evitar o desabastecimento da população durante a época do verão.

“Dada a experiência de 2017 nós decidimos, em julho de 2018, tomar essa medida da intermitência do abastecimento. Quando deixamos de captar a água fica reservada. No Bujari tem uma barragem no Igarapé Redenção, mas no auge do verão ele seca. Com essa decisão estamos chegando ao fim do verão abastecendo a cidade”, destaca.

A previsão é que o abastecimento volte a funcionar na totalidade após o dia 15 de novembro, quando o período de chuvas fica mais intenso. Bussons explica que existe um projeto para aumentar o reservatório o que resolveria o problema de forma definitiva.

O diretor relata que encaminharam o projeto para o Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES), mas ainda não obtiveram retorno e aguardam a aprovação para o repasse de recursos.

“Assim faríamos uma grande escavação no açude do Bujari. Essa seria a única solução viável, mas ainda estamos esperando os recursos. Eles [banco] estão fazendo a análise do projeto. É importante destacar que a decisão da intermitência evitou que tivéssemos de usar carros-pipas para abastecer os moradores como no ano passado”, destaca.

Seca severa

A cidade de Bujari passou por uma das piores crises hídricas durante a estiagem de 2017. Ao todo, oito carros-pipa foram usados para abastecer a cidade de forma emergencial.

A medida foi tomada em setembro do ano passado porque o reservatório da cidade não possuía mais água suficiente para atender a população de 9.684 habitantes.

Os caminhões eram abastecidos na Estação de Tratamento de Água de Rio Branco (ETA 2) e cada um tinha capacidade de levar 20 mil litros. O percurso até a cidade era de 22 km.

Situação de emergência

Já em outubro de 2017, o Ministério da Integração Nacional autorizou o repasse de R$ 420 mil para garantir o abastecimento em cidades que enfrentam a estiagem no Acre desde agosto do mesmo ano.

O valor deveria ser usado para amenizar as consequências da seca no estado sendo aplicado para abastecer a população por meio de carros-pipa em bairros de Rio Branco, Brasileia e Porto Acre.

Governo Federal enviou recursos para cidades que enfrentaram estiagem em 2017 — Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre/ArquivoGoverno Federal enviou recursos para cidades que enfrentaram estiagem em 2017 — Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre/Arquivo

Governo Federal enviou recursos para cidades que enfrentaram estiagem em 2017 — Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre/Arquivo