No aniversário do PT, deputado Daniel Zen diz que o momento é de refletir sobre erros e acertos

Deputado Daniel Zen (PT)

Na data em que o Partido dos Trabalhadores (PT) completa 39 anos de fundação, o deputado estadual, Daniel Zen, dos poucos reeleitos na maior derrota sofrida pelo partido no Acre em eleições nos últimos 20 anos, afirmou que o momento é de celebrar a existência da sigla, mas reconhece também a necessidade de reflexão sobre os erros e os acertos.

“É um momento que estamos tendo a oportunidade de, no infortúnio da derrota, refletir sobre as nossas posturas, nossos acertos, mas também sobre os nossos erros e, a partir dessa reflexão profunda, tentar contribuir com o partido e com outros partidos na recomposição do campo progressista de esquerda no Acre.”, avaliou.

Zen afirmou também que, apesar da derrota, o partido tem o que comemorar em seu aniversário. “É um momento importante do partido que merece ser celebrado. Temos uma história de lutas muito positiva e, como todo partido, coleciona derrotas e vitórias. Aqui no Acre e no plano nacional passamos por um processo eleitoral muito duro de resultados desfavoráveis, mas isso não é novidade porque até termos a primeira vitória amargamos muitas derrotas, então perder eleição não é novidade, da mesma forma que já experimentamos ser governo e ser oposição. ”, analisou.

O deputado petista lembrou ainda que trata-se de um período longo de uma existência que precisa ser celebrada. “É importante comemorar os 39 anos. São quase quatro décadas e foi uma trajetória recheada de altos e baixos e isso merece ser celebrado como na vida de qualquer pessoa, onde nem tudo é um mar de rosas, como já diria o poeta.”, acrescentou.

Não concorda que a DR seja “culpada” pela derrota

Questionado sobre a responsabilidade atribuída a DR (democracia radical), tendência do PT da qual Daniel Zen é um dos líderes, pela derrota experimentada pelo PT nas urnas em 2018, o deputado é enfático ao discordar.
“As decisões não foram tomadas por uma única tendência. Foram decisões coletivas do partido que tiveram a participação das lideranças. Não houve boicotes como se chegou a ventilar em algumas reportagens em algumas matérias a nenhuma pessoa”, disse.

Zen explicou ainda que quando se decidiu sobre as três candidaturas majoritárias – Marcus Alexandre, ao governo; Jorge Viana e Ney Amorim, ao Senado – houve a participação de todos os partidos da Frente Popular.

“Não havia outro nome para ser apresentado como outro candidato ao Senado, me referindo a candidatura de Ney Amorim, e naquele momento o partido apostou no que tinha de melhor para apresentar à sociedade e a sociedade deu a vitória para os adversários e a nós só cabe respeitar a decisão soberana do voto popular e trabalhar para nos reorganizarmos para disputar as próximas eleições.”, assinalou.

Sobre Ney Amorim no governo, Zen disse que não especularia se ele apoiou ou não o adversário, no caso o governador Gladson Cameli. “Agora a decisão dele pós campanha é uma decisão dele. Eu lamento pela perda de um companheiro, mas desejo sorte e sucesso em sua nova trajetória.”, encerrou.

Oposição sem trégua

Sobre a oposição, Zen promete fazer “uma oposição dura e sem trégua, mas com lealdade sem boicotes ou desonestidade. Sem subterfúgios e sem transitar pelos caminhos pantanosos da política. Uma oposição às claras dialogando sempre sobre qual a posição para que o adversário saiba com quem está lidando. É essencial que na política os adversários conheçam as armas com que estão lutando. Isso é decisivo. O governador vai ter sempre clareza a respeito das nossas posições.”, disse, repetindo seu discurso da abertura dos trabalhos legislativos.

A respeito da relação com o líder do governo, deputado Gehlen Diniz (Progressistas), o de deputado Zen, comentou que “ele está se adaptando à função agora. Uma função espinhosa que eu pude desempenhar nos últimos 4 anos e infelizmente ele tem se irritado com muita facilidade. Se eu posso dar um conselho a ele é que não se irrite. Não precisa ser irônico e nem sarcástico quando a gente coloca algumas situações para reflexão ou quando fazemos alguma crítica ao governo que recém iniciou. A nós cabe fazer isso como a ele coube fazer nos últimos anos e quem está do lado do governo cabe esclarecer, mostrar os números, trazer os dados. Não precisa desqualificar o interlocutor para fazer o contraponto.”, concluiu.