Presidente da Fundhacre chora ao falar da situação do hospital

O principal hospital de referência do Acre, a Fundação Hospitalar, construído na década de 1980 sob o governo de Flaviano Melo, foi abandonado durante os últimos 20 anos da administração dos governos petistas, inclusive durante o governo de Tião Viana, que é médico, e hoje, se fosse possível haver uma comparação de sua situação física com um de seus pacientes, não seria exagero dizer que o hospital está (UTI – Unidade de Tratamento Intensivo), “em estado terminal”. A definição é de ninguém menos que o atual diretor-presidente da instituição, o odontólogo Lúcio Brasil, um respeitado cirurgião buco-maxilar com mais de 25 anos de atuação no Estado e que, na manhã desta sexta-feira (14), ao relatar a situação em que encontrou o hospital, chegou a se emocionar e a chorar.

Lúcio Brasil chora ao relatar situação do maior hospital do Acre/Foto: Wania Pinheiro/ContilNet

A reação ocorreu diante do senador Márcio Bittar (MDB-AC), durante uma visita do parlamentar à instituição. A vinda de Márcio Bittar ao Acre foi a primeira que ele fez na condição de senador empossado e ocorreu à Fundação Hospitalar dado ao elevado grau de preocupação que o parlamentar tem com o sistema de saúde do Estado, principalmente depois que o governador Gladson Cameli, ao constatar as dificuldades na área, editou decreto estabelecendo grau de calamidade pública no setor em todo o Estado. Além de Lúcio Brasil, receberam a visita do senador, outros funcionários e o chefe do departamento de orçamento e finanças da instituição, o administrador de empresas Francisco Carlos Pinheiro.

De acordo com Lúcio Brasil, a situação encontrada na Fundação Hospitalar pela nova administração é de tamanha gravidade que, segundo ele, em todas as áreas do hospital, inclusive no centro cirúrgico, chove – principalmente agora, nesta época de inverno amazônico. “O inverno, para nós, aqui, é um inferno. Não há um local do nosso hospital que não molhe, fora o sucateamento de equipamentos, de estrutura física, de falta de material”, disse Brasil.

“Eu confesso que não esperava encontrar um hospital que já foi de referência neste Estado nesta condição deplorável. Todos os setores são tidos como de pior gravidade. Mas o pior de todos é o Unacon, o hospital do câncer, que é um hospital morto. Não terminaram as obras de reforma. Lá está tudo sucateado. É algo triste!”, acrescentou, emocionado, indo às lágrimas.

Senador Marcio Bittar com o presidente da Fundhacre, Lúcio Brasil/Foto: Wania Pinheiro/ContilNet

O hospital tem dez leitos na UTI e 240 à parte. Uma parceria do Governo do Estado com o Bid (Banco Interamericano de Desenvolvimento), destina R$ 76 milhões para investimentos no Acre. Desses R$ 76 milhões, R$ 4 seriam destinados à chamada fila do mutirão, onde há no mínimo 10 mil pacientes cirúrgicos reprimidos, dez mil pessoas aguardando cirurgias. “O Bid nos acendeu uma luz dizendo que dar para nos ceder R$ 4 milhões para essas cirurgias, mas isso não resolve o nosso problema. Vamos conseguir fazer essas cirurgias numa média de três a quatro mil, em 30 dias, mas a fila nunca vai zerar”, disse Brasil
A verba do Bid, segundo ele, daria para aumentar o centro cirúrgico e dobrar a UTI.

Bittar com o presidente Lúcio e o chege do departamento e Orçamento e Finanças, Francico Carlos durante visita na Fundhacre/Foto: Wania Pinheiro/ContilNet

“Mas não adianta você dobrar o fluxo de cirurgia se você não tem aonde fazer a cirurgia e aonde colocar esses pacientes pós-operatórios. Temos que dobrar a UTI para 22 leitos e aumentar a sala de cirurgia até março do ano que vem. Nosso objetivo é terminar a obra do Unacom, fazer a reforma do centro cirúrgico, dobrar a quantidade de leito da UTI e terminar a parte física e estrutural do hospital”, disse. “O hospital necessita da ajuda dos nossos senadores e dos nossos deputados federais”, acrescentou.

Bittar conversou com funcinários da Fundação Hospitalar/Foto: Wania Pinheiro/ContilNet

Diante do que viu e do relato emocionado do dirigente do Hospital, Márcio Bittar disse que também se emocionou porque Lúcio Brasil é um profissional estabilizado e que não precisa do serviço público para sobreviver e que demonstra que está tendo inclusive prejuízos financeiros em seu consultório particular para se dedicar à causa pública.

“Isso é uma coisa que me comove e que mostra que ele é um grande homem. Vou ajudar. Ele também já conversou com o senador Petecão para uma audiência com o ministro da Saúde e eu vou junto e uma das emendas de bancada que nos temos quer fazer é para atender a área de saúde, e não só a Fundação, porque nossa saúde está um caos e precisamos resolver isso”, disse o senador.