Quase 22 mil famílias vivem na pobreza e extrema pobreza no Acre

Uma família com mais de três integrantes, incluindo crianças, sobrevivendo com cerca de R$ 89 a R$ 178 reais por mês. Esta é a realidade de pelo menos 21.687 famílias que vivem em Rio Branco. Os dados são atuais, referentes ao mês de janeiro de 2019. Conforme o relatório do Ministério da Cidadania, todas elas estão na linha de pobreza e extrema pobreza.

A Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos do município usa como base o Cadastro Único Para Programas Sociais em Rio Branco, relacionado aos programas sociais disponíveis pelo Governo Federal, para obter um parâmetro mais preciso e atualizado desses números -o Bolsa Família, por exemplo.

Hoje, 40. 272 famílias constam no Cadastro Único do município. Deste total, 21.687 vivem com, no máximo, R$ 178 reais por pessoa, o que significa que essas famílias são muito pobres. Em Rio Branco, há 23.930 famílias beneficiárias do Bolsa Família. Elas equivalem, aproximadamente, a 20,29% da população total do município, e inclui 12.042 famílias que, sem o programa, estariam em condição de extrema pobreza.

O valor médio que essas pessoas recebem do Bolsa Família é de R$ 222,00. Conforme o histórico de valores repassados às famílias beneficiárias do programa nos últimos 12 meses, na Capital acreana, o maior valor pago foi no mês de dezembro de 2018, quando o governo federal repassou R$ 5.320.478,00 para 24. 048 famílias.

Neste último mês de março, o governo repassou R$ 5.312.988,00 para a conta bancária das 23. 930 famílias cadastradas em 2019. Atualmente, 35.073 famílias de Rio Branco sobrevivem com renda uma renda de apenas ½ (meio) salário mínimo. Na Capital, as regionais que mais concentram pessoas em situação de pobreza são: Vila Acre; São Francisco, parte da Baixada da Sobral, Taquari e Calafate.

Pobreza x violência

A situação financeira de milhares de famílias tende a se relacionar com questões ligadas a violência. Não é difícil imaginar a maneira como centenas de jovens se desenvolvem em regiões periféricas, sujeitos a serem aliciados aos mais diversos tipos de criminalidade por falta de oportunidade, escolaridade e emprego. A diretora de assistência social confirma que essas famílias entram para a estatística de um país desigual. “Não é uma questão apenas local. A formação da nossa sociedade é desigual. A concentração de riquezas é muito alta”. Segundo ela, a pobreza identificada em Rio Branco faz parte de um processo de estrutura econômica.

“Aqui não se concentram indústrias, a centralidade da economia também não é o forte de nossa cidade”. Por isso a assistência social surge como uma medida paliativa. “Tentamos minimizar o que a desigualdade socioeconômica provoca nessas famílias. Tentamos suprir a falta de emprego, baixa escolaridade, falta de oportunidade e a oferta de emprego que não atende a demanda”, explica Oliveira.

Em menos de três meses, o Acre registrou, em 2019, 58 mortes violentas. O relatório divulgado pela Secretaria de Segurança Pública do Estado aponta que, ainda assim, houve uma diminuição de 31% no número de assassinatos, já que a quantidade de mortes registradas no mesmo período de 2018 foi de 84 mortes.

Nos primeiros meses deste ano, a polícia atendeu 760 ocorrências de roubo só em Rio Branco. A tabela de resultados Operacionais ocorridas na Capital e no interior do Acre também revela que a polícia realizou 34. 695 abordagens. 257 pessoas foram conduzidos à Delegacia e 31 menores encaminhados à Delegacia.

Dezessete mandados de prisão foram expedidos, 71 quilos de drogas apreendidos e R$ 111.830 reais capturados pela polícia das mãos de suspeitos de praticarem crimes.

Combate à pobreza

Os indicadores apontam que as regiões Norte e Nordeste apresentam o maior percentual de extrema pobreza no Brasil. De acordo com o CADÚnico de Rio Branco, 60% dos chefes de famílias em situação de pobreza não concluíram a 4ª série.

Pensando nisso, a secretaria defende o programa Bolsa Família e outros, pois, entende que se trata de uma renda complementar e não a principal fonte de renda. “As condições para receber o benefício também são tidas como fonte de melhoramento dos indicadores, pois, dependem do avanço da qualidade da educação e da saúde dessas famílias”, garante Regiani.

Para participar, crianças menores de sete anos devem ser vacinadas e ter acompanhamento de peso e altura, gestantes precisam fazer o pré-natal e crianças e adolescentes de 6 a 15 anos devem ter frequência escolar mínima de 85% a cada mês.

Baixa no acompanhamento

No entanto, conforme os resultados, Rio Branco possui um acompanhamento da frequência escolar razoável, de 91,99% das crianças cadastradas, mas ainda abaixo da média nacional que é de 93,81% de acompanhamento na educação.

Na área da Saúde não é diferente. No mês de janeiro de 2019, 19.840 beneficiários foram acompanhados no último semestre. O município conseguiu acompanhar 12.523 beneficiários, o que corresponde a uma cobertura de acompanhamento de 63,12%, sendo que a média nacional de acompanhamento na saúde é de 77,15%.

“São programas que complementam o Bolsa Família. Atuamos de forma integrada para superar as vulnerabilidades enfrentadas por essas famílias e romper o ciclo de pobreza no município por meio dos Centros de Referência de Assistência Social. Identificamos e encaminhamos essas pessoas para cursos de profissionalização e atendimento de assistência social”, diz a diretora. Economia

A maior concentração de extrema pobreza está na zona rural de Rio Branco. Regiani Oliveira acredita que a melhor saída para as pessoas que fazem parte desse grupo é fortalecer a economia familiar. O objetivo, seguindo ela, é trabalhar uma rede de proteção social.

“Existe uma rotatividade no cadastro de famílias, dependendo das condições de vulnerabilidade das famílias. Por isso, precisamos cada vez mais buscar alternativas de trabalho, fortalecimento dos grupos familiares, agricultura local, principalmente os pequenos agricultores”, destaca.

A diretora discorda da ideia de valorizar o agronegócio e esquecer dos pequenos produtores. “Precisamos também pensar nos agricultores pequenos, na agricultura familiar, que são porta de entrada para minimizar essa situação de pobreza”. Oliveira ressalta que o dinheiro proveniente do Bolsa Família não ajuda somente as famílias mais pobres, mas também a economia do município. “Isso faz com que também movimente o mercado econômico do município. É um dinheiro que gira no pequeno comércio, nas feiras de bairros”, alega.

CadÚnico

O governo federal utiliza os dados do Cadastro Único para conceder benefícios de programas sociais, como: Tarifa Social de Energia Elétrica, Benefício de Prestação Continuada (BPC), Programa Bolsa Família, entre outros.