Região do Alto Acre mantém a tradição e se torna o último reduto petista no Acre

O Partido dos Trabalhadores (PT) vive o que se pode chamar de inferno astral desde as eleições de 2018.

Tendo governado o Acre por 20 anos consecutivos e a prefeitura de Rio Branco por quase 16 anos ininterruptos o que era o maior partido do Acre, foi quase “varrido” do mapa pelo eleitor.

Dois anos atrás, o PT viu Marcus Alexandre perder a eleição para o governo do estado, o até imbatível Jorge Viana não conseguir se reeleger ao Senado Federal, sua bancada de deputados federais reduzir de 3 para nenhum e na Assembleia Legislativa, dos 5 deputados estaduais que conseguiu eleger em 2014, apenas um ter conseguido voltar à Aleac.

Nas eleições municipais deste ano, o eleitor da capital acreana, onde se concentra mais da metade do eleitorado do estado, deu mais uma demonstração de que o PT continua com um alto índice de rejeição. Apesar do candidato Daniel Zen nunca ter figurado entre os favoritos, nem o mais pessimista petista imaginava que a votação seria tão pequena. O deputado estadual que concorria à eleição de prefeito só conseguiu 7.121 votos, alcançando apenas 4,01% do eleitorado. Para se ter uma ideia do fraco desempenho, a vereadora mais votada de Rio Branco, Michelle Melo, teve mais de 50% dos votos de Zen.

Na câmara de vereadores da capital, a história se repetiu. Em 2016, o PT elegeu 4 vereadores. Nas eleições deste ano, o partido não conseguiu eleger nenhum parlamentar.

Mas existe uma região onde o petismo continua firme e forte e onde o PT continua tendo a preferência do eleitorado, sem sofrer a rejeição da capital. No Alto Acre, dos quatro municípios da regional, o PT se elegeu em três, ficando com 75% das prefeituras.

Professor e radialista

Em Assis Brasil, o professor e comunicador Jerry Correia que tem uma história de militância no PT foi eleito prefeito com 33,22% dos votos, obtendo 1.583 votos. O partido volta ao comando do município após 8 anos.

Criação ficou maior que a criadora

Em Brasiléia, onde Fernanda Hassem foi reeleita com 59,46% da preferência do eleitorado, o embate foi com a ex-deputada petista, hoje no MDB, Leila Galvão. O curioso é que Fernanda é uma “cria” política de Galvão que a preparou para ser sua sucessora, já que Leila foi prefeita de Brasiléia por dois mandatos. Com o tempo, aconteceu o rompimento político entre as duas e a habilidosa Fernanda provou que superou a “professora” e foi eleita com folga para um segundo mandato.

O jeito Bira de governar agrada

Já virou até parte do folclore da política acreana. Sempre que se fala do prefeito xapuriense Bira Vasconcelos, há um comentário pejorativo sobre uma suposta lentidão do gestor, que não seria afeito a acordar cedo. Pelo resultado das urnas no último domingo, 15, a maioria da população discorda. Bira vai ser prefeito pela terceira vez em Xapuri, tendo enfrentado como principal adversária, Carla Mendonça, esposa do deputado estadual Antônio Pedro (DEM) que controla todos os cargos comissionados do governo no município. Mesmo assim, Bira conseguiu 3.815 votos, praticamente a mesma votação de 2016 (3.854) e a preferência de 43,37% dos votos.

Só Epitaciolândia resiste ao petismo

O único município da regional do Alto Acre que resiste ainda ao PT é Epitaciolândia. Este ano, mais uma vez, o partido não conseguiu vencer as eleições. A candidata petista Neide Lopes foi apenas a terceira colocada com 10,88% dos votos na eleição vencida pelo delegado Sérgio Lopes, do PSDB.

Além das prefeituras no Alto Acre, o PT só conseguiu a reeleição de Isaac Lima, no município de Mâncio Lima.

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