Trabalhadores da saúde fazem ato em homenagem aos 189 profissionais mortos pela Covid-19 no Acre

Iryá Rodrigues

Trabalhadores da saúde fizeram um ato na noite desta quinta-feira (8) para homenagear os colegas que perderam suas vidas durante o combate ao coronavírus.

O ato ocorreu em frente ao Pronto Socorro de Rio Branco, uma das unidades referência para atendimento a pacientes com Covid-19 no estado, e homenagear os 189 trabalhadores da saúde que foram vítimas da doença, segundo cálculo do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde do Estado do Acre (Sintesac).

Com balões, faixas, cruzes e velas, a categoria fez um momento de oração em memória dos que morreram por causa da Covid-19 e também por aqueles que continuam atuando na linha de frente, já há mais de um ano.

Com balões brancos, faixas, e cruzes, categoria fez momento de oração em frente ao PS de Rio Branco — Foto: Arquivo/Sintesac

Com balões brancos, faixas, e cruzes, categoria fez momento de oração em frente ao PS de Rio Branco — Foto: Arquivo/Sintesac

“Esse mês de abril completa um ano que perdemos os primeiros servidores em saúde para a Covid-19. Então, para nós, é um mês muito significativo, porque eram pessoas cheias de vida, jovens, todos na faixa etária de 50 anos para baixo, e eram pessoas que tinham uma história na Saúde muito grande. Também foi é um momento em que a gente reflete a questão do profissional de saúde, o grau de exposição que vive, e para chamar atenção das nossas autoridades com relação à necessidade de políticas públicas de proteção e apoio aos trabalhadores. Apesar de estarmos em um momento em que os profissionais de saúde sejam os mais exigidos, os mais expostos, todos se sentem esquecidos e como se não tivessem a menor importância”, disse o presidente do Sintesac, Adailton Cruz.

Grafites homenageiam profissionais

 

Há algum tempo, a cor avermelhada dos tijolos da fachada do Pronto-Socorro de Rio Branco foi substituída pelo verde, azul, branco, marrom, amarelo, traços e desenhos que formam os rostos de profissionais da saúde. Os grafites foram desenhados em duas estruturas do prédio com imagens de servidores que estão na linha de frente do combate à pandemia do novo coronavírus.

Uma das artes tem 23 metros de altura e nove metros de largura. A segunda está exposta em uma estrutura horizontal de oito metros de altura e 20 de largura. Segundo o grafiteiro Matias Souza, esse é o maior grafite do Acre.

Estrutura externa do PS ganhou cores com desenhos de rostos de profissionais da saúde do Acre — Foto: Pedro Devanir/Secom

Estrutura externa do PS ganhou cores com desenhos de rostos de profissionais da saúde do Acre — Foto: Pedro Devanir/Secom

O projeto é de Souza em parceria com o governo do estado. Além da unidade da capital, a ação coloriu com imagens de médicos, enfermeiros, técnicos em enfermagem, parteiras, entre outros profissionais, o Hospital de Campanha, da Mulher e da Criança e a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Cruzeiro do Sul.

Algumas das vítimas

 

Entre as vítimas fatais da Saúde estão: Cláudio José Lopes de Araújo, Mirian Montefusco de Assis e Eudes Pinheiro. Os três trabalhavam no PS e morreram no mês de junho após semanas internados com Covid-19.

Dias após as mortes, colegas de profissão fizeram uma homenagem e protesto em frente à unidade. Com cartazes, choro e muita emoção, os profissionais pediram mais assistência e estrutura para combater o novo coronavírus.

Em setembro, Rosinalda de Macedo Bastos, de 38 anos, morreu com Covid-19 após 56 dias internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Pronto-Socorro de Rio Branco. Em entrevista ao G1 na época, a cunhada de Rose, Luzineide da Silva Correia, falou da dor de perder a parente.

A técnica de enfermagem Sandra Melo da Silva, de 47 anos, também morreu vítima de complicações da Covid-19. A família chegou a reclamar de falta de Equipamento de Proteção Individual (EPI) para Sandra.

O enfermeiro Danilo Moura, de 41 anos, atuava no Instituto de Traumatologia do Acre (Into-AC) – unidade de referência no tratamento de Covid-19, e morreu com a doença em julho.

Outra vítima foi o médico oftalmologista Laurence Huamani Alvarez, de 51 anos, que morreu no dia 26 de janeiro deste ano, em Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, por causa de uma trombose em consequência da Covid-19.

O clínico geral Ivar Rolando Bazualdo Rocabado, de 59 anos, morreu no Hospital do Juruá, em Cruzeiro do Sul, no dia 10 de março deste ano com a doença. Ele trabalhava na região do Vale do Juruá há 11 anos.

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