Em Brasileia, Estado realiza vacinação de indígenas em contexto urbano

O governo do Acre, por meio da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), em parceria com o Programa Nacional de Imunização (PNI) e com a Prefeitura de Brasileia, realizou, nos dias 13 e 14, no bairro Leonardo Barbosa, uma ação de imunização voltada ao público de indígenas Jaminawa, que vivem em contexto urbano, na fronteira com a Bolívia.

Última atualização em 15/12/2021 17:11

Foram aplicadas 36 primeiras doses, 24 segundas doses e 14 de reforço, e 25 doses contra influenza Foto: Taís Nascimento

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Além de ofertar a vacina contra a Covid-19, também foram disponibilizados imunizantes de rotina para a atualização da caderneta vacinal das crianças e, em parceria com a Secretaria de Estado de Assistência Social, Direitos Humanos e Políticas para as Mulheres (SEASDHM), foram distribuídas cestas básicas às famílias.

Há muito que os povos originários sofrem ante a necessidade de se adaptar às ferramentas urbanas, bem como ao contexto social dos grandes centros.

Acostumados a se proteger e a curar-se com a medicina da floresta e a terem como referência farmacológica os seus pajés, alguns indígenas veem nos homens de jaleco, nas cápsulas de remédios e nas agulhas de vacinas um inimigo, não por oferecerem perigo, mas por serem desconhecidos.

Com um olhar sensível à causa e entendendo o papel social das instituições enquanto promotoras de cidadania, a equipe técnica da Sesacre embrenhou-se nos caminhos conflituosos construídos pela disseminação de fake news, para convencer os indígenas a receberem a dose da vacina contra a Covid-19.

A maior dificuldade da empreitada não foi enfrentar  as trilhas, o sol ou a chuva, mas as falsas informações que chegam a todo instante nos celulares dos “parentes”, como os índios nomeiam uns aos outros. De chip implantado no líquido imunizante, às pernas amputadas e corpo em pele viva; são esses os vírus que chegam por lá, entram e ficam parasitados nas pessoas.

“O processo de saúde tem que estar diretamente relacionado à educação e à assistência como um todo. A ação foi muito além do que apenas imunizar contra a Covid-19, mas uma oportunidade única de ensinar aos parentes a importância de proteção contra o coronavírus”, contou o assessor da área de Saúde Indígena da Sesacre, Vanderson Brito.

Diagnóstico Social

De acordo com a técnica para assuntos indígenas da SEASDHM, Andréia Guedes, em 2021 foi realizado um diagnóstico social das famílias indígenas que vivem em Brasileia, o qual constata que 90% das famílias se recusam a tomar a vacina.

“O motivo são as inúmeras fake news que existem. Pensando nisso, Sesacre e SEADHM entraram em parceria para tentar fazer algo para amenizar essa situação, uma vez que há essa rejeição à imunização, em decorrência de todo um contexto histórico”, explicou Andréia Guedes.

Em razão disso, o discurso dos profissionais foi voltado à conscientização, utilizando-se de estratégias como o diálogo com lideranças indígenas, criando um vínculo para que pudessem baixar a guardar.

“O governo do Estado adquiriu cestas básicas diferenciadas para a população indígena, e resolvemos atrelá-las à questão da vacinação, pois entendemos que a maioria trabalha como autônomo e, às vezes, a vacina dá reação em algumas pessoas e a cesta básica irá ajudar, caso sinta efeitos adversos”, destacou Andréia Guedes.

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