Marina detona projeto de Mara, Bittar e Bolsonaro que abre trecho da BR-364 na Serra do Divisor

Wanglézio Braga/ Foto: Reprodução

A ex-ministra do Meio Ambiente e ex-senadora do Acre, Marina Silva (REDE), não poupou nas críticas e detonou o projeto que pode estender a BR-364, no Vale do Juruá, até o Peru cortando em duas partes o Parque Nacional da Serra do Divisor. Marina comentou que o projeto foi retomado pelo presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido) em parceria com o senador Márcio Bittar (MDB-AC) e a deputada federal Mara Rocha (PSDB-AC).

“Não há nada mais miserável do que alguém que tem riqueza e não consegue entendê-la, perceber seu significado e cultivá-la. Essa miséria troca uma coisa rara e importante para toda a humanidade pelo uso egoísta, predatório, destrutivo e que resulta em degradação e lucro acumulado nos bolsos de uns poucos. Um roteiro antigo que sempre se repete na história”, comentou Marina.

Segundo ela, “É esse risco que está sofrendo o Parque Nacional da Serra do Divisor, um ecossistema que reúne pelo menos 1.163 espécies de plantas e animais que só existem naquela região, um dos mais biodiversos lugares da terra”.

“Não satisfeito com isso, apoia o projeto de lei que tramita no Congresso para acabar com o Parque e transformá-lo em Área de Proteção Ambiental, a categoria menos rigorosa de proteção que existe na lei ambiental. Isso significa o loteamento da região, a derrubada e a queimada dessa rica floresta para uso pecuário e o enriquecimento de uns poucos. Não só os ambientalistas, indígenas e ribeirinhos brasileiros, mas também os moradores de Ucayali, no Peru, temem que a conexão que a rodovia propõe aumente o tráfico de drogas na fronteira, que já é causador de muita violência na região”, disparou.

A oposicionista ao governo Bolsonaro, ressaltou ainda que “Entender essa riqueza seria capaz de propor tecnologias inovadoras para acessá-la sem destruí-la; investir em pesquisas para conhecer todo o potencial de uso da biodiversidade ali existente, tanto no que diz respeito a princípios ativos e substratos para processamento industrial quanto na criação de infraestrutura de turismo ecológico, que é cada vez mais uma tendência mundial. Mas isso é esperar demais de um governo que não tem projeto de país nem capacidade de propô-lo”.

Por fim, caso o projeto avance e seja efetivado ainda no Governo Jair Bolsonaro, Marina conclui: “Resta-nos a resistência em defesa do que os acreanos têm e precisam defender para não perder”.

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