Diretor de Policlínica é acusado de acumular 4 cargos e mandar secretária pessoal atender no lugar dele

Marcellus Antônio é acusado de acumular cargos indevidamente

O gerente da Policlínica do Tucumã, o médico Marcellus Antônio Motta Prado, recentemente homenageado pela Câmara de Rio Branco com uma moção de aplauso, é acusado de acumular indevidamente cargos no governo do Acre, Universidade Federal do Acre e governo do Amazonas. O médico também é acusado de utilizar os serviços da secretária do consultório particular dele para realizar seu serviço na policlínica onde, segundo informações funcionários, dificilmente aparece.

A moça em questão, denominada Clicia Moreno, resolveria problemas administrativos da Policlínica no lugar do chefe dele, Marcellus Prado, de forma ilegal, haja vista que sequer é contratada do Estado e, tampouco, possui portaria para responder pela unidade de saúde.

Marcellus Prado foi nomeado em março deste ano pelo governador Gladson Cameli para responder como gerente da Policlínica do Tucumã onde deveria cumprir carga horária semanal de 40 horas, no entanto parece que as horas não estão sendo cumpridas por conta de outros compromissos profissionais do médico. Além de atender em um consultório particular em Rio Branco, o médico ainda detém dois contratos com o Estado do Amazonas e mais um contrato com a Universidade Federal do Acre.

O médico foi nomeado por Gladson Cameli para ocupar cargo de gerente da Policlínica do Tucumã

Segundo uma fonte ouvida pela Folha do Acre, na Policlínica do Tucumã são raras as ocasiões em que o médico comparece para dar expediente, mas comumente ele manda uma representante que não possui legitimidade para desempenhar as funções.

“A secretária do consultório particular dele que dá as cartas lá, manda em tudo, dá ordens e é obedecida, mas ela sequer possui portaria para exercer o trabalho”, frisou.

Marcellus Antônio também é professor da Ufac

A reportagem da Folha do Acre entrou em contato com Marcellus Prado que negou as irregularidades. A respeito dos contratos com o governo do Amazonas, o médico diz que está licenciado para assuntos particulares e deveria reassumir suas funções até 2022, mas que por entender que não dava para conciliar com os trabalhos no Acre pediu demissão.

“Em janeiro de 2019 fomos convidados a realizar atendimentos filantrópicos na cidade de Pauiní (AM), quando, após os três dias naquela cidade, e entendendo a grande distância entre ela e a capital (Manaus), a gestão local pediu apoio aos munícipes para que fosse feito acolhimento deles aqui nossa capital, quando solicitei a ativação do contrato, que aconteceu em fevereiro mas, quando fui orientado que há conflito nesse tipo de acúmulo, pedi demissão no dia 22 de março de 2019, contudo até a presente data a demissão não aconteceu, apesar de receber pagamentos, estes seguem intactos na conta bancária e será devolvido, integralmente, tão logo a demissão se conclua e que o montante não acarrete, também, em necessidade de justificar no protocolo fiscal de 2020”, diz.

No Portal da Transparência do governo do Amazonas, o médico aparece com dois contratos. Em um deles, inclusive, tem gratificação.

A respeito de manter um consultório particular o médico diz que só atende lá em horários que não está em expediente na função pública.

“Sobre os atendimentos no consultório, esses acontecem após o expediente corrido na Policlínica do Tucumã, que é aonde cumpro carga horária como gestor e não como médico”, diz.

A respeito da secretária particular despachar na Policlínica no lugar dele, Marcellus garante que documentos e despachos são feitos por ele, mas que dispõe de colaboradores.

“Sobre alguém responder por mim, tenho inúmeros colaboradores que organizam o atendimento que tem como desafio o de ser docente assistencial. Documentos e despachos referentes ao meu trabalho são feitos por mim, e por mim somente”, diz.

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