No dia da Mulher, profissionais da saúde falam da luta contra o COVID-19

G1

Lutas, perdas e perseverança. Este é o retrato de muitas mulheres que atuam na área da saúde, no Acre, durante quase um ano de pandemia do novo coronavírus. No Dia Internacional da Mulher, algumas destas profissionais contaram sobre esse desfaio à Rede Amazônica.

Com 26 anos de profissão, a enfermeira Maísa Barros é uma destas profissionais. Ela está na linha de frente no combate à covid-1 desde do início da pandemia.

Para ela, esse é um dos momentos mais difíceis que já enfrentou profissionalmente. Mesmo com o isolamento, para preservar os pais idosos, por medo de contaminá-los, ela perdeu a mãe para a doença. Apesar de tudo e diante da perda, não desistiu de lutar pela vida dos pacientes.

“Pra mim foi muito difícil. Me afastei pra eu não levar o vírus até minha casa, e mesmo assim o vírus chegou na casa da minha mãe, e acometeu meu pai também. Minha mãe, com menos sorte foi a óbito”, relembrou.

 

Ao cuidar da mãe ela também se contaminou. Mas, o esforço dela foi para não desistir e continuar, apesar de tudo.

 

Enfermeira Maísa Barros tem 26 anos de profissão e deseja ver a cura pra doença — Foto: Reprodução/Rede Amazônica

Enfermeira Maísa Barros tem 26 anos de profissão e deseja ver a cura pra doença — Foto: Reprodução/Rede Amazônica

“Eu busquei forças. Não queria parar. Foi uma luta contínua, porque todo dia tinha mais pacientes e mais pacientes, e mais, e a gente não conseguia parar. Não estamos conseguindo parar. O profissional está cansado, mas, o medo deperder mais, faz com que você se torne forte”, conta.

Médica Fabíola Helena também sofreu com a morte de colegas — Foto: Reprodução/Rede Amazônica

Médica Fabíola Helena também sofreu com a morte de colegas — Foto: Reprodução/Rede Amazônica

Perda de colegas

 

A perda, ao longo deste último ano, foi a causa da separação entre muitas pessoas. E assim como a enfermeira Maísa que perdeu a mãe, a médica Fabíola Helena também sofreu com a morte de colegas.

Médica há 10 anos, Fabíola também tem se dedicado ao atendimento de pessoas contaminadas pelo vírus. Para ela, perder os colegas de profissão, que estavam na luta pra salvar outras vidas, foi muito difícil.

“A perda dos colegas do PS foi uma coisa que gravou muito, mexeu muito com meu psicológico. Eu era uma das pessoas que mais chorava, e graças a Deus a enfermagem sempre foi muito carinhosa comigo, com toda equipe. Todos nós fomos solícitos uns com os outros, porque não é fácil você trabalhar tanto tempo com um colega e vê-lo morrer em cinco, sete dias, né? Então, foi bem complicado ver que um colega está indo embora”, relembrou.

 

Maísa e Fabíola são exemplos de mulheres fortes que estão na linha de frente no combate à Covid-19. A dedicação e a entrega dessas mulheres faz toda diferença para quem está enfrentando a doença.

“Sou verdadeiramente apaixonada pelo paciente Covid, muito. Gosto de tratar ele desde o início até o último dia”, ressalta.

O Acre está em uma fase crítica da pandemia, são mais de mil mortes e mais de 58 mil casos, e as mulheres representam grande parte dos profissionais que se dedicam todos os dias pra conseguir salvar vidas.

“Não aguento mais ver mortes, é muito triste ter que se deparar, com óbitos todo dia. Tem muitas pessoas que não entendem, acham que é mídia, acham que é sensacionalismo”, desabafa a enfermeira Maísa.

Maioria de mulheres na enfermagem

 

Enfermeiras, técnicas de enfermagem, médicas, profissionais de limpeza e apoio. São várias as faces das que tem feito esse trabalho árduo. Segundo o Conselho de Enfermagem do Acre, 60% da equipe de enfermagem que está na linha de frente é composta por mulheres.

O Sindicato dos Médicos (Sindmed) diz que dois terços dos profissionais que atuam na linha de frente no estado também são mulheres. São elas que ajudam a manter o sistema de saúde funcionando. Mas, para a Fabíola e Maísa, qual seria o maior presente desse dia das mulheres?

“Esse ano, que a gente conseguisse, pelo menos, o controle da doença e que a população entendesse que a gente ainda precisa do uso da máscara, precisa do uso contínuo do álcool, proteger nossos idosos, isso a mulherada faz com maestria” diz Fabiola.

Os desejos se complementam e a enfermeira Maísa fala que gostaria de ver a cura chegar.

“O maior presente seria a busca da cura, a cura mundial desse vírus, para que diminuíssem pelo menos as mortes, em decorrência do vírus, do acometimento do vírus, seria um dos presentes maiores”, conclui Maísa.

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