Estudante condenado por falsificação de atestado se apresenta como médico nas redes sociais no AC

Estudante de enfermagem no AC condenado por falsificar atestado se passa por médico nas redes sociais  — Foto: Reprodução/Instagram

Estudante de enfermagem no AC condenado por falsificar atestado se passa por médico nas redes sociais — Foto: Reprodução/Instagram https://66704575dfc89bc8afe01137c4a4c8ad.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

Fotos com jaleco em unidades de saúde e fazendo referência à profissão de médico. É assim que Rogério dos Santos Girão, de 26 anos, se apresenta em suas redes sociais. Na descrição do Instagram, ele sinaliza “ginecologia e obstetrícia”. A informação foi retirada após ficar sabendo que a notícia havia se espalhado.

Segundo informações apuradas pela reportagem, Rogério oferece atestados médicos de forma ilegal, já que não tem registro no Conselho Regional de Medicina. O g1 apurou, que, na verdade, ele foi aprovado nas vagas residuais da Universidade Federal do Acre (Ufac) em 2019 para o curso de enfermagem, sendo, inclusive, beneficiado, ainda no ano passado, pelo programa “Alunos Conectados”, que distribui chips aos estudantes para que pudessem acessar internet no período de pandemia em que as aulas presenciais foram suspensas.

Porém, o estudante alega que faz o curso em uma instituição particular e não na Ufac, mesmo que em seu perfil ele cite o nome da universidade federal na descrição.

O Conselho Regional de Enfermagem (Coren) informou que tem conhecimento do caso e, mesmo não sendo responsabilidade deles, porque o jovem ainda não é formado, foi até a cidade e fez um relatório que deve ser enviado ao Ministério Público do Estado (MP-AC).

Sobre os acessos às unidades de saúde, a Secretaria Municipal de Saúde apenas informou que ele é estudante e fazia estágio supervisionado em unidades, o que justifica algumas fotos dentro desses espaços. O g1 entrou em contato com o estudante, que chegou a conversar com a equipe e dar sua versão, porém, disse que não queria que constasse nesta reportagem.

Em uma busca no site da Justiça, é possível perceber que esta não é a primeira vez que o estudante se apresenta como médico, tendo sido condenado em 2020 por dar um atestado falso a um policial militar.

Nas fotos em suas redes sociais, o estudante posa analisando exames e cita frases como: “Uma UBS para chamar de minha!”.

Parte do processo registrado na Justiça em que o jovem se apresenta como médico conceituado  — Foto: Arquivo pessoal

Parte do processo registrado na Justiça em que o jovem se apresenta como médico conceituado — Foto: Arquivo pessoal

O caso se torna ainda mais grave porque em março deste ano o estudante entrou com processo por crime contra a honra e se apresenta à Justiça como ginecologista obstetra.

Ele foi parar na Justiça após terminar um relacionamento e ser acusado por perseguição e ameaças. O processo foi recebido no Juizado Especial Criminal, em Cruzeiro do Sul, no dia 3 de março. O processo, inclusive, aponta que Rogério é médico “renomado” na cidade. Os advogados alegam que “houve um erro na petição inicial”.

“O querelante é pessoa idônea, médico obstetra conceituado na cidade de Cruzeiro do Sul – AC, contudo, vem sendo alvo de constantes ataques contra a sua honra”, começa a denúncia registrada na Justiça. E nessa ação, o estudante pede indenização de R$ 20 mil porque está sendo acusado pelo ex-companheiro de criar perfis fakes. Os dois conviveram por cerca de oito meses.

Já a pessoa que se relacionava com o estudante entrou com medida protetiva contra ele e Rogério não pode se aproximar dela.

No Instagram ele chegou a colocar "doutor" e que seria da área de ginecologia  — Foto: Reprodução/Instagram

No Instagram ele chegou a colocar “doutor” e que seria da área de ginecologia — Foto: Reprodução/Instagram

Condenado por atestado falso

Em 2020, o estudante foi condenado por emitir um atestado falso. No carimbo, ele usa seu nome, mas o número usado que seria seu CRM, na verdade, é o registro de uma médica que atua em Manaus.

De acordo com o processo, um policial militar entregou um atestado médico falso e, por isso, foi detectado pela Corregedoria da PM e o caso foi parar na Justiça. Além de Rogério, outras três pessoas passaram a ser alvo de investigações.

Em 2020, o estudante foi condenado por ter assinado atestado como se fosse médico  — Foto: Reprodução

Em 2020, o estudante foi condenado por ter assinado atestado como se fosse médico — Foto: Reprodução

Resumidamente, o processo trata de movimentações que foram feitas pelo grupo para expedir um atestado falso ao policial, que estava com dengue na época, e pediu que a filha, que é enfermeira, falasse com um médico para pegar mais dois dias, sendo que não se sentia bem.

Desta forma, eles conseguiram um receituário do Hospital do Juruá limpo e colocaram as informações com o carimbo do suposto médico. O processo já foi julgado. Todos os envolvidos, incluindo Rogério, concordaram com a proposta de transação penal, que consistiu no pagamento de uma pena pecuniária no valor de R$ 900.

Rogério se apresenta nas redes sociais como médico na cidade de Cruzeiro do Sul  — Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre

Rogério se apresenta nas redes sociais como médico na cidade de Cruzeiro do Sul — Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre

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