São Weverton: o pilar da conquista do Palmeiras na Libertadores

MANOEL FAÇANHA

Um dos principais personagens do Palmeiras na conquista do bicampeonato da Taça Libertadores, ocorrida nesse sábado (20), no estádio Maracanã, sobre o Santos, por 1 a 0, atende pelo nome de Weverton Pereira da Silva, atleta de 33 anos. De origem humilde e nascido num dos bairros mais populosos da periferia de Rio Branco-AC, ele fez partidas memoráveis durante a competição e, na decisão, mostrou segurança e frieza para ajudar o Verdão a parar o Santos da dupla Marinho e Soteldo.

Sempre fiel à bandeira acreana, o arqueiro voltou a usar o referido símbolo para expressar o seu amor à terra natal durante as comemorações do título do Palmeiras nesse sábado (30), no gramado do Maracanã. Enrolado na bandeira, o goleiro protagonizou uma das cenas mais emocionantes da conquista do Verdão após o apito final do árbitro, ao correr para festejar mais um título na carreira nos braços da filha Valentina.

Emocionado, o goleiro mais valorizado do Brasil, campeão olímpico no mesmo estádio da final da Taça Libertadores e convocado regularmente por Tite para a Seleção, falou com a equipe esportiva do SBT, ao vivo, sobre o momento vivido na carreira e a superação para chegar onde chegou. “Era improvável que um menino da Baixada da Sobral, no Acre, chegasse até aqui. Um momento grandioso para mim e para esse clube que tanto amo”.

Abel Ferreira e Weverton comemoram título do Palmeiras na Libertadores. Foto: Reuters

Na entrevista para o narrador Téo José e também para os comentaristas Mauro Beting e Jorginho, da equipe esportiva do SBT, Weverton fez questão de virar um pouco a chave e focar no Mundial de Clubes, competição que começa no início do próximo mês e com a estreia do Palmeiras marcada para o dia 7 de fevereiro no estádio Education City pelas semifinais da competição contra o vencedor do confronto entre Tigres, do México, e Ulsan, da Coreia do Sul. O camisa 21 do Palmeiras durante a entrevista disse preferir se afastar um pouco das comemorações do título, pois ainda não foi acometido pelo novo coronavírus e precisa se preservar para não ficar fora da lista dos atletas palmeirenses que embarcam para o Mundial.

Mesmo vivendo tempos difíceis, ocasionada pela pandemia de covid-19, o título da Copa Libertadores vai render ao Palmeiras a cifra de US$ 22,5 milhões, o que perfaz um total de R$ 122,9 milhões.

O goleiro Weverton ajoelhado espera o abraço da filha Valentina. Foto/Arquivo Pessoal de Weverton Pereira

Carreira

Menino pobre da periferia de Rio Branco, Weverton chegou ao Juventus-AC pelas mãos do treinador e ex-goleiro Illimani Suares. Antes havia passado por algumas escolinhas de futebol como a do Recriança, atuando, inclusive, como atacante. Foi lapidado e aos 16 anos fez sua primeira final no profissionalismo vestindo a camisa do AC Juventus, em 2004, mas não levou sorte e perdeu o título para o Rio Branco.

 

Em 2003, o então juvenil Weverton (penúltimo em pé) perfila para a foto do seu primeiro título com a camisa do Juventus. Foto/Manoel Façanha
Juventus – 2004. Em pé, da esquerda para a direita: Marquinhos Costa, Léo, Cleudo, Marinho, Dácio, Márcio, Jeferson, Jeferson Castanheira, Teles, Rogério e Weverton. Agachados: Railton, Ayrson, Marcelo Cabeção, Pelezinho, Davi Zaire, Loló, Paulo Carpegiane, Ranieli e Vanilson. Foto/Acervo Manoel Façanha.

Em 2004, o goleiro Weverton (o último em pé, da esquerda para a direita) conquistava o título de juniores. Foto/Manoel Façanha

No Campeonato Acreano de 2004, o então goleiro juventino Weverton faz sua primeira final no profissional, mas não conseguiu parar o ataque do Rio Branco. Foto/Manoel Façanha

Weverton treina a bola aérea no CT do Juventus na temporada de 2004. Foto/Manoel Façanha

O goleiro Weverton em mais um dia de treino no CT do Juventus durante a temporada 2004. Foto/Manoel Façanha

Na temporada 2014, o goleiro Weverton em preparação para sua primeira participação na Copa São Paulo de Futebol de Juniores. Foto/Manoel Façanha
Na temporada 2004, Weverton trabalha duro na busca do seu espaço com a camisa do Juventus-AC. Foto/Manoel Façanha.
Na reta de preparação para a Copa São Paulo de Juniores-2005, os goleiros juventinos Marcos, Careca e Weverton. Foto/Manoel Façanha
O goleiro Weverton na sua passagem pelo Corinthians. Foto/Cedida

 

Um ano depois, na disputa da Copa São Paulo de Juniores, o arqueiro apareceu nacionalmente. Weverton foi o principal destaque na vitória apertada do Corinthians sobre o Juventus por 1 a 0. O acreano pegou tudo naquela memorável partida do dia 5 de janeiro de 2005. Espantados com a atuação do acreano, os dirigentes do clube Paulista do Parque São Jorge o convidaram para testes.

Aprovado, Weverton ficou no Corinthians por mais de dois anos e ainda chegou a integrar o time alvinegro do Parque São Jorge na conquista do título da Série B 2008. No entanto, como não era aproveitado pelo então técnico corintiano Mano Menezes – oscilava entre a posição de terceiro e quarto goleiro (Júlio César, Felipe e Rafael Santos eram os concorrentes da posição) acabou emprestado para o Clube do Remo. O acreano ainda passou por América/RN, Oeste de Itápolis, Botafogo-SP, Portuguesa e Atlético Paranaense, chegando ao Palmeiras em 2018.

 

O goleiro Weverton passou pelo Remo em 2007 — Foto: Neldson Neves/Arquivo O Liberal
Na temporada 2012, após o acesso da Portuguesa, Weverton e mãe Josefina com a bandeira do Acre. Foto/Augusto Diniz
Weverton ficou cinco temporadas no Atlético Paranaense. (Fernando Dantas/Gazeta Press)

 

Uma ‘prensa’ de seu ex-técnico

A saudade de casa, sobretudo, da namorada, logo bateu e ele fugiu do CT corintiano para voltar à sua Rio Branco. Poderia ter sido o fim de sua curta história no futebol. Uma ‘prensa’ de seu ex-técnico Illimani Lima Suares o recolocou de volta ao Parque São Jorge.

“Ele estava decidido a ir embora. Falei, então: “meu filho, mulher tem em todo canto, pense um pouco, ponha a cabeça no lugar e veja onde você mora. Sempre foi um menino humilde, a família também era, moravam num bairro extremamente pesado”, relembra o treinador Illimani Suares, que o acompanhou na ida para São Paulo, durante uma entrevista concedida em 2016 para o site da ESPN.com.br.

“Perguntei: “o que você vem fazer na baixada? Será mais uma vítima de tudo ali. Seja um pouquinho mais forte, esse negócio de saudade de mamãe, papai, namorada, depois você terá condição de matar de maneira salutar”, disse Illimani.

“O Sonho é livre”

Weverton, do Juventus do Acre, para seleção olímpica. Foto/Manoel Façanha e Arquivo Pessoal de Weverton Pereira.

Um dia após a convocação para a seleção olímpica, em entrevista para a imprensa, o goleiro Weverton declarou: “Não pagamos para sonhar, o sonho é livre. Eu sempre sonhei, mas nunca imaginei que poderia estar aqui hoje. O futebol é muito distante da nossa realidade. Hoje eu olho para trás e me sinto orgulhoso de estar aqui. Tenho muita coisa para conquistar e viver. Sinto orgulho e a mão de Deus na minha vida. Não é fácil sair de onde eu saí e estar na seleção. Só agradeço”.

 

Convocado pelo técnico Tite na temporada 2016, o goleiro Weverton treina com a camisa canarinho no estádio Arena da Amazônia. Foto/Antônio Assis
O goleiro acreano Weverton Pereira virou uma das principais personagens da conquista brasileira. Arte/ac24horas.com

 

Encerradas as Olimpíadas 2016, ocorridas no Brasil, a seleção brasileira quebrou um grande tabu e conquistou o ouro olímpico. O goleiro Weverton chegou à decisão sem levar gols, algo jamais ocorrido na história da seleção olímpica. Na decisão contra a Alemanha, as equipes ficaram no empate por 1 a 1. Naquele momento da final, o goleiro Weverton passou a ser a principal esperança do país para colocar fim ao jejum do ouro olímpico que já durava desde 1952 (o futebol masculino brasileiro marcou presença em uma Olimpíada pela primeira vez em Helsinque-1952) e não decepcionou ao mostrar frieza, reflexos e pegar a penalidade cobrada pelo alemão Petersen. Neymar cobrou a última cobrança e o Brasil então pode finalizar o jejum do ouro olímpico.

‘Atacante’ Weverton

A boa saída de bola e a cobertura dos zagueiros (falso líbero) chamou a atenção da então comissão técnica brasileira olímpica. O jogador justifica isso ao fato de, ainda garoto, atuar como atacante. “Eu era atacante e vem aquela velha história de que faltou goleiro, tinha que botar alguém pra jogar no gol, eu fui e arrebentei no gol. Um olheiro do Juventus-AC me viu jogar, me chamou. Eu comecei de 9, fazendo gols. Mas como eu fui muito bem no gol, ficou a dúvida. Para mim era diversão, mas virou verdade e eu estava no Corinthians como goleiro. Minha grande vontade era ser atacante.”

Numa noite pra lá de inspirada com a bola nos pés, o goleiro Weverton marcou dois gols da vitória dos Amigos de Jesus por 4 a 0, em jogo festivo no Florestão em 2018. Foto/Manoel Façanha

Ídolos

No início da carreira, o goleiro Weverton teve como ídolos os goleiros Marcos e Dida, não somente pelas duas ‘muralhas’ que eram em suas balizas, mas pela personalidade e o carisma. Outro nome citado pelo acreano foi o do goleiro Rogério Ceni, ora pelas boas defesas, ora pela qualidade com a bola nos pés, isso sem falar das centenas de gols em cobranças de faltas e penalidades durante a carreira.

A respeito da personalidade de jogar com os pés, ele disse que a chegada do então treinador Paulo Autuori ao Atlético Paranaense na temporada de 2016 teria contribuído para usar mais essa ferramenta de sair jogando com os pés.

Números

Bem mais experiente, Weverton é o terceiro goleiro mais chamado para a Seleção Brasileira pelo técnico Tite. O acreano que já foi convocado 12 vezes fica atrás somente Alisson (17) e Ederson (16).

Outro dado interessante na carreira do goleiro acreano diz respeito aos números da temporada 2019, quando ficou 26 jogos sem sofrer gols e passou a ser o recordista do século neste requisito.

FICHA TÉCNICA

Nome: Weverton Pereira da Silva

Cidade: Rio Branco (AC)

Data: 13/12/1987

Altura: 1m89cm

Peso: 86 kg

Clubes: AC Juventus-AC, Corinthians-SP, Clube do Remo-PA, Oeste-SP, América-RN, Botafogo-SP, Portuguesa-SP, Atlético Paranaense e Palmeiras-SP.

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